Os países mais seguros em caso de catástrofe global: onde há mais hipóteses de sobreviver ao fim do mundo
Índice
- Que catástrofes globais foram tidas em conta pelos investigadores?
- Com base em que critérios foi avaliada a resiliência dos países?
- Por que razão a Austrália foi reconhecida como o país mais resiliente?
- Que outros países têm grandes hipóteses de resistir?
- Por que razão não existe nenhum lugar totalmente seguro na Terra?
Um grupo internacional de investigadores identificou quais os países que dispõem das melhores condições para proteger a população, os recursos alimentares e as infraestruturas essenciais durante uma crise de grande dimensão. Saiba mais sobre os países mais resilientes do mundo e os riscos contra os quais nem mesmo a Austrália está protegida
Um grupo internacional de investigadores identificou quais os países que apresentam as melhores condições para proteger a população, os recursos alimentares e as infraestruturas essenciais durante uma crise de grande dimensão. Saiba mais sobre os países mais resilientes do mundo e os riscos contra os quais nem mesmo a Austrália está protegida
Um grupo internacional de cientistas identificou os países com melhores hipóteses de preservar os sistemas vitais durante uma catástrofe global. Os cientistas tiveram em conta as consequências de uma guerra nuclear, de uma erupção vulcânica de grande dimensão, da queda de um asteróide, de uma pandemia, de um ciberataque global e de uma falha prolongada no fornecimento de eletricidade.
As conclusões foram apresentadas na revista científica Global Challenges. Os autores analisaram 152 trabalhos científicos e chegaram a uma conclusão inequívoca: não existe nenhum local totalmente seguro na Terra. No entanto, um país revelou-se mais resiliente do que os outros num conjunto mais abrangente de cenários.
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Que catástrofes globais foram tidas em conta pelos investigadores?
Os autores do estudo não analisaram catástrofes naturais locais, mas sim eventos capazes de provocar mortes em massa e perturbar o funcionamento dos principais sistemas em todo o mundo. Por catástrofe global, entendem uma crise que, ao longo de vários meses ou anos, pode causar a morte de, pelo menos, 10% da população mundial.
Os cientistas agruparam todas as ameaças analisadas em três categorias principais:
1. Redução drástica da luz solar. Esta pode ser causada por uma guerra nuclear, a erupção de um supervulcão ou a queda de um grande asteróide. Partículas de cinza, poeira e fuligem entram na atmosfera, baixam a temperatura e reduzem a produtividade agrícola.
2. Perda global de infraestruturas críticas. Trata-se de interrupções prolongadas no fornecimento de eletricidade devido a um ciberataque em grande escala, a uma tempestade geomagnética ou a um impulso eletromagnético. Sem eletricidade, o funcionamento dos transportes, das comunicações, da indústria, dos sistemas de abastecimento de água e da produção alimentar é rapidamente afetado.
3. Ameaças biológicas catastróficas. Este grupo inclui pandemias perigosas, fugas acidentais de agentes patogénicos de laboratórios e a utilização deliberada de armas biológicas. Os principais riscos são a mortalidade em massa, a sobrecarga do sistema de saúde, a escassez de profissionais e a interrupção das cadeias de abastecimento.
Os investigadores avaliaram não só a capacidade de um país resistir ao primeiro impacto. Também tiveram em conta se o Estado seria capaz de garantir à população alimentos, energia e cuidados médicos, restaurar sistemas críticos e adaptar-se a uma crise prolongada.
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Com base em que critérios foi avaliada a resiliência dos países?
O estudo não é um ranking clássico com pontuações e posições fixas. Numa primeira fase, os investigadores identificaram cerca de 3 200 publicações relacionadas com riscos globais. Após várias etapas de seleção e a inclusão de materiais adicionais fornecidos por especialistas na área, 152 trabalhos foram incluídos na análise final.
Os países foram comparados com base na frequência com que os seus pontos fortes e fracos eram mencionados na literatura científica. Quatro fatores revelaram-se os mais importantes:
1. Isolamento geográfico. Ilhas de grande dimensão e territórios remotos podem restringir mais rapidamente o acesso através das fronteiras. Além disso, dependem menos de crises nos países vizinhos.
2. Autossuficiência alimentar. O país deve produzir alimentos suficientes e dispor de uma agricultura diversificada. São igualmente importantes as reservas de sementes, combustível e fertilizantes.
3. Qualidade da governação. A estabilidade política, os baixos níveis de corrupção, a confiança da sociedade e serviços de resposta eficazes ajudam a distribuir mais rapidamente os recursos e a coordenar as ações.
4. Descentralização dos sistemas. A energia, a produção alimentar e a gestão não devem depender de um único centro. Dessa forma, os danos num único objeto não conduzem a um colapso total.
Outras vantagens incluem uma indústria desenvolvida, acesso aos próprios recursos energéticos, um sistema de saúde sólido e a capacidade de reorientar a produção. Ao mesmo tempo, algumas vantagens podem transformar-se em pontos fracos. Por exemplo, o isolamento geográfico protege contra pandemias, mas dificulta a obtenção de ajuda internacional.
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Por que razão a Austrália foi reconhecida como o país mais resiliente?
A Austrália revelou-se o único país que as fontes científicas designaram diretamente como resiliente nas três categorias de riscos globais. Possui as melhores condições iniciais em cenários de arrefecimento abrupto, colapso em grande escala das infraestruturas e pandemia perigosa.
A principal vantagem da Austrália reside na combinação de uma localização remota com recursos internos significativos. O país pode restringir rapidamente a passagem das fronteiras, mas, ao mesmo tempo, dispõe de uma área suficiente, de uma indústria desenvolvida e de um setor mineiro robusto. A agricultura australiana produz grandes quantidades de alimentos. Isto aumenta as hipóteses de garantir o abastecimento alimentar da população, mesmo em caso de interrupção dos fornecimentos internacionais.
O clima relativamente quente também pode constituir uma vantagem no caso de um inverno nuclear ou vulcânico. O oceano atenua as oscilações de temperatura, e a localização no hemisfério sul reduz a gravidade provável das consequências de uma catástrofe que tenha tido início no norte do planeta.
Ao mesmo tempo, a Austrália não é totalmente autónoma. Depende do comércio internacional de medicamentos, combustíveis, fertilizantes e determinados componentes industriais. Por isso, mesmo um país com os melhores indicadores precisará de manter as relações comerciais e a cooperação com outros Estados.
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Que outros países têm grandes hipóteses de resistir?
A seguir à Austrália, a Nova Zelândia, o Japão, a Suíça e a Argentina foram os países mais frequentemente mencionados no estudo. Cada um deles possui vantagens importantes, mas, ao mesmo tempo, permanece vulnerável a determinados tipos de ameaças globais.
Nova Zelândia
A Nova Zelândia, juntamente com a Austrália e o Japão, demonstrou sinais de resiliência nas três categorias de riscos globais. As suas vantagens incluem a localização insular remota, a estabilidade política, o baixo nível de corrupção e uma produção alimentar significativa.
O país também produz fertilizantes azotados, e as reservas de fósforo nos solos podem ser suficientes para anos ou mesmo décadas. No entanto, a Nova Zelândia possui uma base industrial reduzida e depende fortemente do comércio externo. Os vulcões ativos, as tempestades geomagnéticas e os tsunamis continuam a representar ameaças adicionais.
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Japão
O Japão possui uma das maiores bases industriais do mundo, um sistema de saúde desenvolvido e recursos significativos para responder a situações de emergência. O país também dispõe de tecnologias de previsão do tempo espacial, que ajudam a detetar atempadamente tempestades geomagnéticas perigosas.
Ao mesmo tempo, o Japão depende da importação de alimentos, combustíveis e matérias-primas. A elevada densidade populacional, o envelhecimento da população, a atividade sísmica e a proximidade de vulcões ativos também reduzem a sua resiliência geral.
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Suíça
A Suíça distingue-se pelas suas instituições democráticas estáveis, pela baixa desigualdade e por um sistema energético fiável. A país obtém uma parte significativa da sua energia elétrica a partir de centrais hidroelétricas. Isto reduz a sua dependência de combustíveis importados. Parte da infraestrutura crítica também dispõe de proteção adicional.
A ausência de litoral reduz o risco de tsunami, e o relevo montanhoso pode facilitar o isolamento territorial. No entanto, a pequena área e a localização no centro da Europa tornam o país dependente do comércio e vulnerável a um colapso em grande escala das infraestruturas nos países vizinhos.
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Argentina
Os pontos fortes da Argentina estão relacionados, acima de tudo, com a sua localização no hemisfério sul e com o seu vasto setor agrícola. O país possui uma época de cultivo prolongada, extensas áreas de terras agrícolas e produz grandes volumes de diversos produtos.
A Argentina pode resistir melhor a um abrupto arrefecimento global do que muitos países do hemisfério norte. No entanto, o elevado nível de desigualdade e os períodos de instabilidade política e económica dificultam a gestão eficaz dos recursos durante uma crise prolongada.
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Por que razão não existe nenhum lugar totalmente seguro na Terra?
Nenhum país é capaz de fazer face de forma igualmente eficaz a todas as ameaças globais. Uma vantagem num cenário torna-se frequentemente um problema noutro. A localização insular ajuda a controlar as fronteiras durante uma pandemia, mas dificulta a obtenção de recursos e de ajuda internacional após um colapso das infraestruturas.
Uma contradição semelhante surge no que diz respeito à indústria. Uma grande base produtiva permite reparar equipamentos, fabricar peças sobressalentes e reorientar as empresas. Ao mesmo tempo, a indústria moderna depende da eletricidade, de sistemas digitais e de complexas cadeias de abastecimento internacionais. A sua destruição pode paralisar rapidamente a produção.
Os autores alertam também que as suas conclusões não devem ser interpretadas como uma classificação definitiva. A Austrália e a Nova Zelândia foram melhor estudadas do que muitos outros países, pelo que aparecem com mais frequência em publicações científicas. Países potencialmente resilientes, nomeadamente o Uruguai, podem ter recebido menos atenção apenas devido à falta de estudos específicos.
A principal conclusão dos investigadores não reside na procura do «último lugar seguro». Mesmo os países mais autossuficientes necessitarão do comércio internacional, do intercâmbio de tecnologias e de uma resposta conjunta. Por isso, a prevenção de catástrofes globais continua a ser uma estratégia mais eficaz do que a preparação para as suas consequências.
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Perguntas
mais frequentes
Qual é o país mais seguro em caso de catástrofe global?
Quais são os países com mais hipóteses de sobreviver a uma catástrofe global?
Onde será mais seguro em caso de um inverno nuclear?
Por que razão as ilhas estão melhor preparadas para pandemias?
Este estudo constitui um ranking oficial dos países?
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