Como o calor vai mudar o turismo em 2026: novos destinos, épocas do ano e hábitos dos viajantes
Índice
- O calor extremo como nova realidade para os turistas
- As ondas de calor ultrapassam os limites do verão
- A tendência das «coolcations»: os viajantes optam pelo frescor
- Será que os turistas estão realmente a abandonar em massa o Mediterrâneo?
- Como é que as cidades se adaptam ao calor em prol dos turistas?
- Turismo noturno e alteração dos horários das excursões
- A falta de «cultura do calor» entre os turistas
- O que está a mudar para os viajantes neste momento?
As alterações climáticas estão a afetar o setor do turismo — desde a escolha dos destinos até ao formato das excursões. As cidades estão a adaptar as suas infraestruturas, os operadores turísticos estão a alterar os horários e os viajantes optam cada vez mais por regiões mais frescas e pela época baixa. Saiba mais sobre como o calor está a mudar os hábitos dos turistas e o que isso significa para as suas viagens
O calor extremo está a tornar-se um fenómeno habitual nos destinos turísticos mais populares da Europa e do mundo. Isto influencia para onde, quando e como viajam milhões de pessoas. Este tema foi recentemente abordado pela National Geographic.
A mudança das estações, o aumento da procura por destinos mais frescos, a adaptação das cidades e dos operadores turísticos — continuamos a abordar estes temas no artigo.
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O calor extremo como nova realidade para os turistas
Os últimos anos mostraram que as ondas de calor no verão deixaram de ser anomalias excecionais. Em 2022, cerca de 60 000 pessoas morreram devido às consequências do calor na Europa, no Reino Unido a temperatura ultrapassou os 40 °C pela primeira vez e a China passou por uma onda de calor sem precedentes que durou 70 dias. No ano seguinte, devido aos incêndios florestais causados pelo calor, quase 20 000 pessoas foram evacuadas da ilha grega de Rodes.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, observou que o calor extremo se tornou a «nova norma». Segundo o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas da ONU, a atividade humana contribui inequivocamente para o aquecimento global, pelo que a situação só irá agravar-se a cada ano que passa.
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As ondas de calor ultrapassam os limites do verão
Anteriormente, o calor era associado exclusivamente a julho e agosto, mas agora temperaturas anormalmente elevadas são registadas também noutros meses:
- Em maio de 2022, o serviço meteorológico espanhol Aemet informou sobre um calor de «intensidade extraordinária», que excedeu a média sazonal em 15 °C.
- Em 2023, o forte calor na França prolongou-se até setembro, afetando a realização do Campeonato do Mundo de Rugby.
- No início de 2025, o sudoeste dos EUA foi atingido por uma onda de calor em março — em algumas regiões do Arizona, a temperatura chegou aos 43 °C.
Isto significa que mesmo as viagens na época baixa já não garantem condições meteorológicas confortáveis.
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A tendência das «coolcations»: os viajantes optam pelo frescor
A Europa é simultaneamente o continente que mais rapidamente se aquece e o mais visitado do mundo. É por isso que aqui se manifesta de forma mais evidente a nova tendência turística — as «coolcations», ou seja, férias em regiões mais frescas.
Um estudo da Comissão Europeia de Turismo (ETC) de 2025 revelou a dimensão das mudanças: 81% dos viajantes europeus estão a alterar os seus hábitos devido às alterações climáticas, 15% procuram deliberadamente destinos mais frescos e 14% evitam locais com calor extremo.
As operadoras turísticas TUI e Thomas Cook também confirmam o aumento da procura por viagens para a Europa do Norte.
Entre os destinos que apresentam o crescimento mais rápido estão a Finlândia, a Noruega, a Polónia e a Islândia, onde se registou um aumento de dois dígitos no número de turistas estrangeiros.
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Será que os turistas estão realmente a abandonar em massa o Mediterrâneo?
Apesar da tendência para as «coolcations», os líderes tradicionais do turismo mantêm as suas posições. Em 2025, a França recebeu 102 milhões de turistas, a Espanha — 96,8 milhões, e a Itália ficou em quinto lugar, com 64,5 milhões de visitantes.
A Associação Britânica de Agentes de Viagens (ABTA) observa que a maioria dos viajantes continua a escolher destinos mediterrânicos no verão. O interesse por países mais frescos continua a ser, por enquanto, mais uma exceção do que uma tendência generalizada. O ritmo de crescimento dos destinos do sul está a abrandar, mas o número total de turistas não está a diminuir.
Como é que as cidades se adaptam ao calor em prol dos turistas?
Os países dependentes do turismo estão a implementar ativamente soluções de infraestruturas para atenuar os efeitos do calor. Um exemplo ilustrativo é Sevilha — uma cidade na região de Espanha conhecida como «forno ibérico». Entre as medidas já em vigor em várias cidades do mundo:
- sistemas de pulverização de água com água da chuva em locais com grande fluxo de pessoas;
- câmaras subterrâneas em forma de aquedutos, capazes de reduzir a temperatura ao nível das ruas em 9 °C;
- coberturas sobre as ruas para proteção contra a luz solar direta;
- «ilhas de frescura urbanas» — zonas de vegetação densa, já em funcionamento em Sevilha, Los Angeles, Singapura e Paris.
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Turismo noturno e alteração dos horários das excursões
Para além das soluções de infraestruturas, o setor do turismo está a adaptar o formato das próprias excursões. O conceito de «turismo noturno» — visitas a locais emblemáticos após o pôr do sol — está a ganhar força nos destinos mais populares. O Alcázar Real de Sevilha foi transferido para o horário noturno, enquanto a Acrópole de Atenas e o Coliseu de Roma oferecem visitas noturnas.
As operadoras turísticas também estão a ajustar os programas: as visitas arqueológicas são transferidas para a época baixa, e os percursos de bicicleta começam mais cedo pela manhã e terminam antes do pico do calor diurno. É revelador que a iniciativa seja, na sua maioria, tomada pelos próprios operadores, uma vez que muitos viajantes ainda não têm consciência dos riscos reais do calor extremo.
A falta de «cultura do calor» entre os turistas
Os especialistas destacam um problema grave — a ausência da chamada «cultura do calor» entre os visitantes de regiões quentes. Trata-se de um conjunto de adaptações comportamentais: desde a escolha da roupa até ao planeamento correto da rotina diária. Muitos viajantes ainda encaram o calor como um bónus agradável das férias, sem ter em conta as ameaças reais à saúde.
Os especialistas da Organização Meteorológica Mundial prevêem que os serviços meteorológicos irão colaborar cada vez mais ativamente com as entidades turísticas para alertar sobre condições meteorológicas extremas. A crescente precisão das previsões a longo prazo permite planear viagens tendo em conta os riscos climáticos.
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O que está a mudar para os viajantes neste momento?
A principal consequência prática das alterações climáticas no turismo é o aumento da flexibilidade. Os viajantes reservam cada vez mais as viagens mais tarde, escolhem destinos tendo em conta a previsão meteorológica e consideram a época baixa como um período ideal para viajar.
Há também aspetos positivos nestas mudanças: uma distribuição mais uniforme do fluxo turístico entre regiões e épocas do ano diminui a pressão sobre os recursos locais — abastecimento de água, infraestruturas de saúde e ecossistemas. Os investimentos em infraestruturas climaticamente sustentáveis melhoram a qualidade de vida não só para os turistas, mas também para a população local.
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Lembre-se! No artigo anterior, falámos sobre onde é melhor os turistas não irem no verão de 2026 devido às multidões, ao calor e aos preços elevados.
Foto: Magnific
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Perguntas
mais frequentes
Como é que o calor afeta o turismo na Europa?
Qual é a melhor época do ano para viajar para o Sul da Europa?
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