Onde é que se ganha mais rapidamente 1000 dólares no mundo: líderes e rezagados do novo ranking da OCDE
Índice
- O que revela o estudo da OCDE e por que razão o indicador PPA é importante?
- Onde se ganham 1 000 dólares mais rapidamente: os países com maior poder de compra
- A Europa é muito heterogénea: a diferença entre os países é de quase quatro vezes
- Por que razão são necessários dois dias para ganhar 1 000 dólares em alguns países, mas quase duas semanas noutros?
Um trabalhador médio no Luxemburgo precisa apenas de 16 horas para ganhar o equivalente a 1000 dólares, enquanto na Colômbia são necessárias 86 horas para o mesmo. Um novo estudo da OCDE demonstra como o poder de compra real dos rendimentos varia significativamente entre os diferentes países do mundo. Descubra quais os países que lideram o ranking, por que razão existe uma diferença tão grande entre eles e o que estes números realmente significam
Um salário elevado nem sempre significa um elevado nível de vida. Um indicador que tenha em conta não só os níveis de rendimento, mas também o custo de vida, proporciona uma imagem muito mais precisa das capacidades financeiras dos trabalhadores. É por isso que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) comparou quantas horas o trabalhador médio em diferentes países tem de trabalhar para ganhar 1 000 dólares em paridade de poder de compra (PPC). Os resultados revelaram uma diferença significativa entre os países: enquanto em alguns países este montante é ganho em menos de três dias úteis, noutros são necessárias mais de duas semanas de trabalho normais.
Anteriormente, falámos sobre os países europeus onde é mais fácil obter um visto de trabalho e iniciar uma carreira no estrangeiro.
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O que revela o estudo da OCDE e por que razão o indicador PPA é importante?
O infográfico baseia-se em dados da OCDE e do Our World in Data relativos a 2023. Os cálculos utilizaram os salários médios anuais, o número médio de horas trabalhadas por trabalhador e o indicador da paridade do poder de compra (PPC).
Ao contrário das comparações habituais de salários em dólares, a metodologia da PPC tem em conta as diferenças no custo dos bens e serviços entre países. Isto permite-nos avaliar não só quanto uma pessoa ganha, mas também o poder de compra real do seu rendimento.
Por exemplo, se um trabalhador em dois países diferentes ganhar o mesmo montante em dólares, isso não significa necessariamente que possa ter o mesmo nível de vida. É por isso que a métrica «horas trabalhadas para ganhar 1 000 dólares (PPC)» é considerada um dos indicadores mais objetivos da eficiência salarial e do nível de vida da população.
De acordo com dados da OCDE, a diferença entre os países é enorme: no Luxemburgo, são necessárias apenas 16 horas para ganhar o equivalente a 1 000 dólares, enquanto na Colômbia são necessárias 86 horas. Por outras palavras, um trabalhador colombiano tem de trabalhar mais de cinco vezes mais tempo para alcançar o mesmo poder de compra do rendimento.
Quantas horas são necessárias para ganhar 1 000 dólares (com base na paridade do poder de compra)? Fonte: OCDE, Our World in Data, Visual Capitalist.
No artigo anterior, falámos sobre quais os países da UE que lideram em termos de trabalho remoto em 2026.
Onde se ganham 1 000 dólares mais rapidamente: os países com maior poder de compra
Um estudo da OCDE revelou que os líderes absolutos em termos da rapidez com que os trabalhadores conseguem ganhar o equivalente a 1 000 dólares (PPC) são predominantemente países da Europa do Norte e Ocidental. Nestes países, os salários médios elevados combinam-se com economias produtivas e um poder de compra significativo entre a população. Consequentemente, os trabalhadores precisam de menos de três dias úteis normais para ganhar o equivalente a 1 000 dólares.
Os dez primeiros países do ranking são:
1. Luxemburgo – 16 horas
2. Islândia – 16 horas
3. Suíça – 18 horas
4. Noruega – 19 horas
5. Países Baixos – 19 horas
6. Dinamarca – 19 horas
7. Alemanha – 20 horas
8. Áustria – 20 horas
9. Bélgica – 21 horas
10. Estados Unidos – 22 horas
É de salientar que a maioria das primeiras posições do ranking é ocupada por países europeus. Apenas os Estados Unidos, a Austrália (23 horas), o Japão (34 horas), a Coreia do Sul (38 horas), o Canadá (25 horas) e a Nova Zelândia (28 horas) representam outras regiões do mundo. Isto indica um elevado nível de rendimento e poder de compra entre os trabalhadores em grande parte da Europa.
O Luxemburgo merece uma atenção especial. O país não só partilha o primeiro lugar com a Islândia, como também se tem mantido entre os líderes mundiais em termos de rendimento, PIB per capita e poder de compra há muitos anos. De acordo com as estimativas da OCDE, o salário médio anual no Luxemburgo é também um dos mais elevados entre os países membros da organização.
Outro facto interessante: a diferença entre o país em primeiro lugar e o que ocupa o último lugar é de 70 horas de trabalho. Enquanto são necessárias apenas 16 horas para ganhar 1 000 dólares no Luxemburgo ou na Islândia, na Colômbia são necessárias 86 horas. Isso é mais de cinco vezes mais tempo, apesar de os cálculos já terem em conta as diferenças no custo de vida através da paridade do poder de compra.
No artigo anterior, analisámos detalhadamente o mercado de trabalho na Europa: quais profissões estão em alta, onde estão os salários mais altos e em quais países é mais fácil conseguir emprego.
A Europa é muito heterogénea: a diferença entre os países é de quase quatro vezes
Embora os países europeus dominem o topo dos rankings da OCDE, as diferenças entre eles continuam a ser muito significativas. Enquanto no Luxemburgo ou na Islândia são necessárias apenas 16 horas para ganhar o equivalente a 1 000 dólares, em alguns países da Europa do Sul e da Europa Central e Oriental demora quase três vezes mais tempo. Isto indica diferenças significativas nos níveis de rendimento, na produtividade laboral e no poder de compra da população.
O grupo de países com elevado poder de compra inclui também a Bélgica (21 horas), a Suécia e o Reino Unido (24 horas cada), a França, a Finlândia e o Canadá (25 horas cada), a Irlanda e a Eslovénia (27 horas cada), enquanto a Espanha ocupa a última posição nesta categoria, com um resultado de 30 horas. Isto significa que, na maioria das economias desenvolvidas da Europa Ocidental, os trabalhadores podem ganhar o equivalente a 1 000 dólares em menos de quatro dias úteis.
Nos países da Europa Central e Oriental, os valores são já visivelmente mais baixos. A Lituânia requer 33 horas, a Itália e Israel — 34, a Turquia — 37, a Letónia e a Coreia do Sul — 38, a Estónia — 42, a Polónia — 43, Portugal — 45, a Eslováquia — 47 e a República Checa — 48 horas. Embora muitas destas economias tenham registado um crescimento salarial constante nos últimos anos, continuam a ficar atrás dos países da Europa Ocidental em termos de poder de compra real.
Entre os países europeus, os trabalhadores da Hungria e da Grécia são os que mais tempo demoram — 51 e 60 horas, respetivamente. Em comparação, um trabalhador grego precisa de quase quatro vezes mais tempo do que um residente no Luxemburgo para ganhar o mesmo montante, ajustado pela paridade do poder de compra. Estes resultados refletem não só as diferenças nos níveis salariais, mas também a eficiência económica global, a produtividade do trabalho e a estrutura do mercado de trabalho em cada país.
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Por que razão são necessários dois dias para ganhar 1 000 dólares em alguns países, mas quase duas semanas noutros?
Os resultados do ranking não significam que os trabalhadores dos países líderes recebam simplesmente «salários mais elevados». Este indicador é influenciado por uma combinação de fatores: o nível de desenvolvimento económico, a produtividade do trabalho, a estrutura do mercado de trabalho, o sistema fiscal e o custo de vida. É por isso que a OCDE utiliza a paridade do poder de compra (PPC), que permite uma comparação não dos rendimentos nominais, mas do seu valor real para um indivíduo.
Um dos fatores-chave é a produtividade do trabalho. Em países com produção de elevado valor acrescentado e setores desenvolvidos de alta tecnologia, financeiro, farmacêutico ou de serviços profissionais, os trabalhadores geram mais valor económico por hora trabalhada. Isto permite que os empregadores paguem salários mais elevados sem perderem competitividade.
Ao mesmo tempo, o poder de compra do rendimento desempenha um papel importante. Por exemplo, mesmo que o salário nominal num país seja inferior ao de outro, as diferenças no custo da habitação, dos transportes, da alimentação ou dos cuidados de saúde podem resultar num nível de vida real significativamente mais elevado. É por isso que o indicador PPA é amplamente utilizado pela OCDE, pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional para comparações económicas internacionais.
Outros fatores não são menos importantes:
- Nível salarial médio;
- Carga fiscal e contribuições sociais obrigatórias;
- Número de horas trabalhadas por ano;
- A estrutura da economia e a quota-parte dos setores de alta tecnologia;
- O custo de vida global no país.
É a combinação destes fatores que explica por que razão um trabalhador no Luxemburgo precisa apenas de cerca de dois dias de trabalho para ganhar o equivalente a 1 000 dólares, enquanto na Colômbia ou na Grécia é necessário várias vezes mais tempo para ganhar o mesmo montante. Para quem planeia mudar-se, encontrar emprego ou seguir uma carreira no estrangeiro, estas classificações são mais informativas do que uma simples comparação de salários médios, uma vez que demonstram o nível real de bem-estar e as oportunidades financeiras em diferentes países.
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Perguntas
mais frequentes
Em que países é possível ganhar 1000 dólares mais rapidamente?
Por que razão se utiliza a paridade do poder de compra (PPC) para efeitos de comparação?
Quais são os países europeus com menor poder de compra segundo este ranking?
Um salário elevado significa automaticamente um elevado nível de vida?
Por que razão este ranking é útil para quem planeia trabalhar no estrangeiro?
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